Local, idioma e o caso dos dicionários

Quão longe é 'perto', quando resultado em inglês serve em locale não-inglês e por que definição de palavra comum é resultado fraco.

Cobre as seções 22.0–24.0 · 3 min de leitura

O que o documento diz

Distância é relativa ao tipo de negócio (22.0). Para queries de visita física sem local explícito, resultados perto do usuário são os mais úteis — mas “perto” varia: ninguém viaja longe por posto de gasolina ou café; aceita-se ir mais longe por médico, biblioteca ou um restaurante específico; e mais longe ainda por uma clínica altamente especializada. O exemplo de [ralphs]: supermercados a 100 km “são longe demais para serem úteis”. Já a localização não muda nada quando a query não é local ([amazon jobs] de Miami: a página de carreiras da Amazon é FullyM, onde quer que o usuário esteja) — e muda tudo quando a informação é regionalizada ([minimum wage rate] no Kansas: a página oficial da Califórnia é inútil).

Inglês em locales não-ingleses (23.0). A seção inteira é dirigida a avaliadores fora do mundo anglófono — como os do Brasil. A regra: “sabemos que você lê inglês (está lendo este documento!), mas só dê notas altas a resultados em inglês se os usuários do seu locale os esperariam para aquela query”. Resultado em inglês que a maioria do locale não lê é inútil (FailsM), salvo pedido explícito. Os exemplos são taxativos: a Wikipedia em inglês sobre Barack Obama, “com conteúdo similar” à versão coreana, é inútil para o usuário coreano; query digitada em alfabeto latino ([ronaldo], [samsung tablet]) continua merecendo resultado no idioma local. As exceções são estreitas: site oficial de organização global (a query [site de Harvard] em híndi é totalmente satisfeita pelo site em inglês), informação técnica que se expressa em inglês por convenção (comandos de rede num tutorial coreano) e locales onde inglês é língua corrente (Singapura).

Dicionários e enciclopédias (24.0). Resultado de dicionário é topicamente relevante para quase tudo — e por isso mesmo o documento restringe: nota alta só quando a intenção provável é “o que é isso?”. Definição de palavra que todo mundo conhece é Slightly Meets: quem busca [rainbow] não quer a definição de arco-íris; quem busca [cafeteria] quer um lugar para comer. Já [obsequious] (palavra difícil de vestibular) merece o dicionário, e [history of ATM machines] merece a enciclopédia.

Na prática

A seção 23 é o argumento comercial definitivo do SEO em português. O Google instrui avaliadores a tratar conteúdo em inglês como inútil para usuários que não o leem — mesmo quando o conteúdo é equivalente ao que existe no idioma local. Para o mercado brasileiro, isso significa: a concorrência real de uma query em português é só o que existe em português. Nichos onde a melhor informação do mundo está em inglês são exatamente os nichos onde uma versão nativa bem-feita tem SERP de baixa concorrência com demanda comprovada. É a maior arbitragem de conteúdo disponível para quem opera em PT-BR.

A exceção técnica valida o conteúdo híbrido. O tutorial coreano com comandos em inglês é o modelo certo para conteúdo técnico brasileiro: explicação em português, código/comandos/termos-de-arte no original. Traduzir o que a comunidade não traduz (nomes de função, mensagens de erro) atrapalha em vez de ajudar.

O raio de deslocamento calibra estratégia local. Negócio de conveniência (café, farmácia, academia) compete num raio curto — bairro, não cidade; especialista raro compete num raio longo — cidade, região, país. Definir o raio real do seu negócio define quais queries locais você pode ganhar e onde investir presença (Google Business Profile, páginas por região, conteúdo hiperlocal).

A lição dos dicionários generaliza: relevância topical não é utilidade. O verbete perfeito sobre “cafeteria” falha porque responde uma pergunta que ninguém fez. Antes de produzir o “guia completo sobre X”, verifique se a query pede entendimento ou ação — o conteúdo educacional exaustivo para uma query transacional é o verbete de cafeteria do seu nicho.

Este é um guia editorial independente da Maeka, sem afiliação com o Google. Ele interpreta e comenta as Search Quality Evaluator Guidelines (versão de 11 de setembro de 2025), documento © Google. Para o texto integral e oficial, consulte o PDF original. Documento oficial (PDF, em inglês) ↗